terça-feira, 24 de abril de 2018

Costa Alentejana

“Surfcasting”
Boas pessoal!
Havia bastante tempo que o amigo João Santana do blogue: https://litoralalentejanosurfepesca.blogspot.pt/  me convidada para ir passar uns dias a casa dele em Sines, então num certo dia à conversa naqueles muitos petiscos  que fizemos prometi-lhe que no Inverno lhe ia fazer uma visita se houvesse oportunidade, era só uma questão de o mar fazer feição em dias que ele tivesse disponibilidade…


E assim foi,  quando as previsões anunciaram uma ondulação boa e que coincidia com alguns dias de folga do João, abalei de canas e bagagem para a casa dele, se o peixe ia marcar presença não sabíamos, mas uma coisa era certa; o petisco e boa companhia iam reinar de certeza e como o João não falha nessas coisas meteu o avental logo pela manhã, foi para a cozinha e preparou comida para três dias, e que comida 😊


Logo à chegada a recepção para o almoço foi tipo isto, com boa comida e boa companhia a falar de pesca até abre o apetite 😋


Este foi um dos dias em que fomos para a faina depois de um belo almoço ajantarado, já o João tinha duas canas a pescar e ainda eu montava as minhas nas calmas, naquele momento estava mais interessado em explorar visualmente aquelas praias da Costa Alentejana que para mim eram novidade do que propriamente montar as canas para pescar, mesmo assim não pude deixar de aproveitar aquele pôr do sol fantástico e sacar umas fotos ao meu amigo, pois sei bem como é difícil e o que custa sacar boas fotos quando se pesca sozinho…


O João adivinhava alguma coisa.

 Se por um lado as praias que eu normalmente frequento parecem uma “pista de aviação” por serem tão direitas e planas, estas por aqui afundam de tal maneira que me fazem lembrar um “abismo”, até parece que se está a pescar de cima de uma arriba…


O João neste dia estava mesmo com fé de fazer o aceio da tarde e não se enganou, este foi o preciso momento em que ele ferrou o velhaco.


Depois de uma garreia dos diabos lá saiu um Robalo daqueles que o seu peso e tamanho nada tem a ver com a foto, mas acreditem que pesou bem mais do que parece, tal como o mar que parece estar parado e fácil de pescar e no entanto foi um castigo para separar este peixe do mar naquelas escoas falsas que podem facilmente roubar um bom Robalo ou até mesmo arrastar um homem com elas…


Mas não estávamos sozinhos, o parceiro do João nestas andanças, o Mário também lá estava e fez questão de nos adoçar a boca todas as noites com uns pastéis de nata Xl, já para não falar nas sandes de presunto e no vinho, perdi a conta das qualidades diferentes de vinho que provei nestes dias, acho que há provas de vinhos com menos diversidade 😊


Numa outra noite foi a vez de o Mário mostrar que conhece os cantos à casa e levou-nos a uma outra praia, também ele já sabe enganar uns bons Robalos e como ainda não estava satisfeito com a pesca que fez, no caminho de regresso mostrou que tem a direcção da pickup bem alinhada e não perdoou esta lebre que queria brincadeira, o Mário estava em altas…


Chegávamos a casa cansados mas ainda havia disposição para lavar o material e por fim era hora de mais uma história acompanhada de uma bucha antes de deitar, quando dávamos por nós já o galo cantava hahahahhaha

(Não me lembro se foi nesta noite que aconteceu algo insólito, mas reparem; as pescas areavam com bastante frequência e perdemos algumas montagens, a certa altura estava eu junto do João enquanto ele já meio irritado tentava desarear a chumbada, quando cai uma estrela cadente e diz ele assim em modo de brincadeira (Vou pedir um desejo, recuperar esta chumbada) hahahahahahaha claro que começamos a rir………..Nisto a chumbada desareia e quando ele puxa aquilo vinha um peso do caraças e eu curioso fiquei para ver o que era, acreditem se quiserem mas o homem trazia três chumbadas hahahahahahahaha… Porra agora já sei qual é o segredo dele para apanhar tantos Sargos, imaginem se cada vez que ele prende a chumbica numa pedra pede um desejo 😂 assim também eu apanhava caixas e caixas de Sargos hehehehe)


Uma linda caixa com o nome de João Santana (parabéns amigo)


Mais uma madrugada, esta foi outra noite de pesca mas já em casa e com o material lavado como manda a lei, eram horas de mais um petisco e mais umas histórias até o galo dizer que estava na hora (reparem só nas “pomadas” que estão atrás de mim) hahahaha o Mister Sargo não falha…


Não foi uma pesca de sonho mas foi melhor que nada.


Resultado: Foram três noites e quatro dias muito bem passados que voaram num abrir e fechar de olhos, em boa companhia e com bons petiscos, tive o prazer de conhecer o Mário que é 5***** e o seu Pai que também não lhe fica atrás, até um gelado de feijão levou para nós hehehehe…

Um ponto menos bom destas jornadas foi a temperatura que nestas noites chegou facilmente aos 0º graus e foi um inimigo que tivemos de combater a tempo inteiro, um outro inimigo que nos pregou uma grande partida foi uma raposa que nos deu uma banhada que me deixou com o sapo entravacado no garganil até hoje, aquilo era raposa velha batida no assunto que dá 10 a 0 a qualquer carteirista e com o tempo ainda aprende a abrir garrafas de cerveja a velhaca, conheço várias raposas que frequentam praias distintas e nunca vi uma coisa assim, esta ladra cá para mim pertence ao governo só não sei a que partido pertence porque nem lhe vi a cor…

O João mostrou que também tem garra para pescar aos Robalos em noites geladas, não desiste para aí assim e a moral mantém-se em alta até ao último lançamento da noite, por isso não se admirem quando ele volta e meia aparece aqui com uns belos barrotes…

Da minha parte a pesca foi fraca, apanhei pouco peixe e o maior tinha apenas 1kg, não eram os meus dias embora tivesse trabalhado para isso, sinceramente pouco me importei, pois estava ali para curtir novos spots e passar bons momentos entre amigos. No entanto tive o prazer e o privilégio de ser reconhecido várias vezes pelo João e pelo Mário e isso para mim vale tanto como o peixe que poderia ter apanhado, pois é uma atitude que pouco se vê nos dias de hoje e que eu valorizo bastante. 


Mas não pensem que voltei levezinho, o João fez questão de que eu viesse carregado e ofereceu-me uma Abóbora aí com uns 15 kg 😂 para juntar aos 3 ou 4 kg que engordei nos quatro dias que estive na casa dele hahahaha, cada vez que vou a Sines volto com uns quilinhos a mais 😊

Valeu também a experiência de disfrutar e pescar em spots que não conhecia com especial atenção para a última noite em que só fiz spinning e percorri vários kms durante horas num ida e volta em que perdi a noção do tempo por tão relaxado e descontraído que estava, nunca tinha “varrido” uma praia tão comprida a spinnar, pois normalmente os spots que frequento são curtos ou com obstáculos naturais que interrompem a sequência dos lançamentos, tais como entrilhados de pedra, rochas ou falésias, outro aspecto distinto são as praias fundas de areia grossa que diferem bastante das “minhas” que são rasas e de areias finas. Ainda tive um Robalo preso mas o velhaco desferrou, paciência…

Houve boa companhia, camaradagem e apesar do cansaço e poucas horas de sono a boa disposição reinou o tempo todo…
Só tenho a agradecer ao João mais uma vez que foi 5***** obrigado amigo 😊 
Saúde e força aí pessoal.

terça-feira, 17 de abril de 2018

Crafty Minnow 150F

“Spinning”
A Crafty Minnow 150F é uma amostra flutuante da Cinnetic construída em plástico ABS, com 24g de peso e 15 cm de comprimento, segundo o fabricante ela nada numa camada de água entre os 20 cm e 1,5m de profundidade; na minha opinião acho que a sua profundidade standard andará sensivelmente entre os 50/80 cm se recuperar com a ponteira média ou baixa respectivamente, o que não a impede de se agarrar à água com “unhas e dentes” devido ao tamanho da sua palheta forte e robusta, esta é uma particularidade que faz dela uma arma mortífera para zonas de rocha.


Actualmente são dez as cores que ela veste e que são bastante atractivas, dona de uma aparência realística e olhos em 3D, características que lhe dão uma grande naturalidade e que despertam o instinto predador dos Robalos mais tímidos. Protegida com duas camadas de verniz para uma maior longevidade, incorpora um sistema de transferência de pesos magnético e vem equipada com três anzóis triplos VMC 9626-3x-nrº 4
É um Jerkbait que se enquadra dentro da categoria low cost e o seu preço nas lojas rondará os 11€.


Com as suas 24g não é nenhum míssil de longo alcance, mas é um míssil certeiro e que raramente sai a rodar (helicóptero), faz um lançamento linear e certinho, para os simpatizantes dos termos técnicos o seu estilo de natação é uma mistura de wobbling e rolling.
Em termos de eficácia está mais que provado que este jerkbait mexe com o instinto predatório dos Robalos.


Esta é uma cor nova que saiu este ano (2018) e que me inspira bastante, os Robalos que se cuidem...










A Crafty Minnow 150F tem sido uma amostra de eleição para pescar não só em zonas de areia mas também e principalmente em laredos e zonas rochosas, de salientar que até à data ainda não tive nenhuma palheta partida, é uma amostra aerodinâmica e dona de uma natação nervosa e atractiva para os predadores como o Robalo.






terça-feira, 10 de abril de 2018

Abril Sargos Mil

“Surfcasting”
Boas pessoal!
Apesar de já estarmos na Primavera, os lindos dias de Inverno continuam a marcar presença acompanhados de ondulações que espreitam a Costa Sul, nada de grandes tormentas como no mês passado, mas o suficiente para se poder programar uma pescasita e apanhar alguns pexecos, neste caso uns Sargos. Há que aproveitar porque o verão não tarda está aí 😢 e a Costa Sul vai voltar a ser aquela piscina que todos sabem…


No início desta jornada havia alguma ondulação que foi caindo ao longo do dia, com as canas montadas e a fazerem o seu trabalho começaram a sair umas bailas pequenecas que foram devolvidas, com especial destaque para uma que me fez perder algum tempo numa libertação quase cirúrgica para conseguir tirar-lhe o anzol, no final correu tudo bem e foi à vida dela.

Os Sargos também andavam por lá e foram eles mais uma vez os protagonistas desta jornada, parecia que tinham saído todos da mesma fornada (700/800g) e andavam com bastante apetite, finalmente estava a acontecer aquela jornada de Surfcasting que todos nós consideramos perfeita, sem stresses, sem previsão de chegada de mar forte, sem montagens perdidas, sem estralhos enleados, sem perdas de peixe considerável, sem vizinhos curiosos sempre a olharem cada vez que um gajo recolhe uma pesca, enfim; a pesca fluía calmamente e a bom ritmo.

Correu tudo tão bem que no final o mar ainda me ofereceu uma caixa de esferovite novinha e lavada para emparelhar os meninos para a foto, até parece que foi feita à medida, se tivesse apanhado mais um peixe já não cabia 😊. O resultado final foram dez Sargos de boa bitola que no total acusaram 7,6kg…


Este Inverno perdi alguns dias a estudar pesqueiros na Costa Sul, dias em que levei apenas uma cana e pouco isco só mesmo para apalpar terreno, tirar algumas duvidas e chegar a conclusões, houve dias que nem consegui pescar mas também houve dias positivos mesmo sem capturas (porque aprendi algo sobre aquelas praias que me vai ser bastante útil no futuro) houve um dia que levei um resto de isco que me tinha sobrado de outra pesca, deu apenas para cinco iscadas e em cinco lançamentos apanhei três peixes porreiros (700g) neste dia o objectivo não era apanhar peixe mas sim ver o comportamento do mar naquela praia com aquelas condições…

Tenho a opinião de que todas as pescas são produtivas, mesmo que não sejam em peixe o que acontece muitas vezes, mas servem para afinar alguns pormenores que pairavam com um ponto de exclamação ou até mesmo de interrogação na minha cabeça, acho que a pesca é muito mais interessante e gratificante se aprender com as minhas experiências positivas e negativas do que andar a perguntar a este ou aquele onde é, como é, o que é que eles comem e a que horas, etc. Sempre gostei de ter mérito na pesca, de aprender com os meus erros e pôr em prática as minhas ideias…



Linhas usadas nesta jornada:
  SkyLine 0,24 nos carretos, chicotes Cinnetic e SkyLine  0,40 nos estralhos


No último relato ficou algo por contar, não quis esticar de mais a escrita porque vocês tal como eu não devem ter paciência para ler relatos demasiado extensos.

Então lá vai; como vem sendo hábito todos os anos nesta altura quando vou para uma certa zona gosto de fazer uma visita a um faval que fica quase de caminho, como amante da Natureza gosto que as plantas se sintam bem e confortáveis, então costumo aliviar umas pernadas deste faval para que não se partam com o peso das favas ou com o vento 😉 a noite era de lua cheia o que ajudou bastante à apanha que durou cerca de 20 minutos e rendeu um belo tacho de favas que fizeram companhia ao chouriço preto e ao entrecosto frito 😋


E depois de um dia de surfcasting aos Sargos a patinar na areia um jantar destes vem mesmo a calhar 😋


(Primavera) Quando a Natureza está no seu auge.

Os próximos dias felizmente serão de Inverno e com chuva, o que é bom para a terra receber mais alguma água e também atrasar assim a chegada do tempo quente como aconteceu em anos anteriores que em poucos dias ficou tudo seco que mais parecia um deserto aqui no Algarve e Alentejo…

Pessoal por hoje é tudo, sejam conscientes não deixando lixo nas praias ou nos pesqueiros e libertem os juvenis.
Saúde e força aí.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Jornada Pascoal

“Surfcasting”
Boas pessoal!
Uma jornada que até nem estava prevista acontecer por ser apenas uma pequena janela que o mar proporcionava, mas que dava para fazer uma pescasita rápida e ao ver bem as previsões para a próxima semana pensei que o melhor seria aproveitar ou então ia ser mais uma semana de “ramadão” pelo menos, este Inverno tem sido complicado pescar na praia em algumas zonas da nossa Costa e quando o mar baixa é apenas um dia ou então umas poucas horas…


Mesmo sendo o fim se semana da Páscoa não pude faltar à chamada e lá tive de fazer uma investida a ver se dava com as amêndoas ou com os ovos da Páscoa, tinha apenas umas horitas para pescar e optei por um spot pouco conhecido para fugir à invasão Pascoal que se fez sentir por estes dias no Algarve, a escolha do pesqueiro não podia ter sido melhor, pois estava deserto e ainda saíram duas amêndoas e um ovo 😉

Poucas vezes tenho apostado neste pesqueiro porque normalmente há sempre qualquer coisa que não me corre bem, umas vezes porque faço asneira e outras porque as condições do spot naquela altura ou naquele ano não estão atractivas para o peixe encostar ali, por isso fica quase sempre para último plano como foi o caso. 

No entanto sempre me inspirou e sabia que no fundo havia ali potencial para dar uns bons peixes, era só uma questão de tempo e paciência para o mar um dia desenhar um mapa de areia submerso e perfeito que fosse do agrado do peixe e depois apostar mais vezes claro, sou da opinião de que na pesca não existem fracassos e tento perceber o que falhou ou correu menos bem para que da próxima vez não cometa o mesmo erro, pois na pesca há uma aprendizagem constante e é isso que a torna tão interessante…


Com as varas montadas e tudo preparado era hora de começar a apalpar terreno e tentar perceber se andava por ali alguma coisa de jeito, na primeira revisão que fiz às canas uma pesca vinha comida e a outra estava intacta, pouca actividade inicial mas mais tarde apareceram as Douradas, tive três ferradas mas só consegui tirar duas, a outra infelizmente desferrou a meio da recuperação.


Tal como apareceram assim desapareceram, deixando mesmo a impressão de que era peixe de passagem, mais tarde foi a vez de um bom Robalo que depois de ter dado uma tímida pancadinha encostou quase em seco.

Tal e qual já me tinha acontecido ainda não há muito tempo, o mar que estava previsto entrar por volta da meia-noite chegava à hora marcada, o que impossibilitou a pesca a partir daí, passado 1h tive de me render ao grandioso e dar por terminada esta jornada, quando me ia embora e com a iluminação da Lua via-se claramente que um mar encorpado varria o spot com bastante força…

Mais uma vez a Mãe Natureza mandou-me embora numa noite em que estava a fazer uma boa pesca, mas ela é que manda e por mais que me custe tenho de aceitar e respeitar a decisão dela, no entanto o resultado foi bastante satisfatório com três boas capturas…


Linhas usadas nesta jornada:  
RayLine 0,18 nos carretos, chicotes Cinnetic e SkyLine 0,40 nos estralhos


Como gosto de manter certas tradições, não podia ir para a pesca nesta altura do ano sem levar um folar 😋


A Primavera está aí


Flores de esteva


Com a chegada da Primavera a banda sonora em zonas arborizadas junto à Costa assim como nos seus acessos começa a mudar com o canto dos pássaros, um pequeno pormenor que torna a pesca ainda mais bonita e interessante mas que passa despercebido aos garganeiros da pesca que vão focados apenas naqueles vinte metros de areia onde vão espetar as canas com o intuito de apanhar e guardar tudo e mais alguma coisa que se mexa independente de ser Peixe ou peixinho.

Sintam a magia da pesca e o contacto com a Natureza, o peixe aparecerá mais cedo ou mais tarde…

Saúde e força aí pessoal.

segunda-feira, 26 de março de 2018

Março Marçagão, salta Sargalhão

“Surfcasting”
Boas pessoal!
Parece que os temporais abrandaram aqui no Sul e as praias ganharam um novo rosto depois da passagem dos mesmos, sinceramente as areias já precisavam de levar umas lavagens como deve de ser para eliminar as escamas deixadas pelos “camones” e outras porcarias que os veraneantes e não só deixam na areia durante as invasões que acontecem todos os verões no Algarve, tal como as fezes de “alguns” cãezinhos que ficam a fazer compostagem na areia onde nós depois estendemos a toalha, sim porque agora está na moda gastar um dinheirão num cão de raça e ir passeá-lo para a praia que serve de WC canino….


Esta jornada de surfcasting foi num dia de bonança a seguir a uma tempestade que já não me lembro se foi a Elsa, o Fernando, a Gina ou o Hilário, pois isto agora sempre que faz um dia de invernada (vento, chuva e mar forte) é baptizado com um nome, só inventam é mariquices…
Neste dia para começar apanhei um robaleco já com medida, mas achei-o assim meio raquítico e decidi libertar o bicho, coitado já não bastava ser raquítico que ainda por cima ter uma vida curta.

Os Sargos foram os protagonistas desta jornada e só dei com eles quando troquei de isco, neste dia andavam de apetites, o peixe em certos dias reage melhor a uns iscos do que a outros, o que faz com que tenhamos de levar sempre vários iscos e ir alternando ao longo da jornada, pois nunca sabemos o que lhes apetece naquele dia. Ainda fiz cerca de quatro ou cinco devoluções de pequenos sarguetos, desta vez não havia lixo (algas) e as bailinhas da praxe sem medida também não apareceram felizmente, aquelas que muitos pescadores guardam e dizem à boca cheia que apanharam 20 ou 30 bailas, para mim foi um descanso e espero que se mantenham bastante longe da Costa durante muito tempo e a salvo dos pescadores inconscientes…


O maior Sargo da jornada pesou 1,5 kg
Ainda o pesei várias vezes a ver se a balança acusava mais umas gramazitas para passar o meu recorde de Sargo que é de 1,550kg mas não, a teimosa da balança confirmou sempre que era 1,5kg e pronto tive de me render às evidências 😊


O resultado final desta jornada foram oito Sargos que no total acusaram 6,7 Kg…... (Sendo quatro deles entre o 1 kg e 1,5 kg)

Quando passei as fotos para o PC fiquei meio desiludido com esta, porque não transmite bem o tamanho e a qualidade dos Sargos, por isso resolvi tirar uma foto à bobine do SkyLine com a fita métrica a marcar um diâmetro de 10 cm, para servir de referência e terem uma ideia do tamanho dos Sargos…


Linhas usadas nesta jornada:
  RayLine 0,18 nos carretos, chicotes Cinnetic e MIMETIC 0,40 nos estralhos


Um dia destes o amigo João Santana veio ao Sul tratar de uns assuntos e claro que combinamos um petisco para meter a conversa em dia, desta vez tivemos a companhia do Cristóvão que tem andado desaparecido mas desta vez juntou-se à festa, também conhecido por “Mata Chibos” no mundo da pesca... 

Está aí a semana da Páscoa, é uma semana que eu detesto porque é idêntico a uma semana de Agosto, um gajo não consegue ir para lado algum sem apanhar trânsito e confusão, se aparecer um raio de sol então é tipo lagartos, lagartixas, osgas e iguanas estendidas ao sol em qualquer palmo de areia, é uma semana boa para os barões da hotelaria que até esfregam as mãos para receberem o turismo Pascoal.
Por hoje é tudo, respeitem os tamanhos mínimos e não deixem lixo nos locais de pesca.
Saúde e força aí pessoal.

segunda-feira, 19 de março de 2018

Março Marçagão, salta Robalão

“Surfcasting”
Boas pessoal!
Já lá vai o tempo em que ia para a pesca a pensar no tal Robalão grande, aquele Robalo de 7 Kg ou mais que todos os pescadores de cana sonham em apanhar um dia, aquele a que todos chamam “o peixe de uma vida”. 
Alguns mais afortunados já tiveram esse privilégio, uns à custa de muita insistência, dedicação e sabedoria, esses sabem dar valor a capturas desse calibre, já outros por mera sorte ou coincidência estavam no sítio certo, no dia certo e à hora certa no local exacto a pescar com o isco ou com a amostra que o amigo disse que era a melhor do mundo e sem saberem o porquê de terem feito tal captura pensam que isto da pesca até é fácil e vai ser sempre assim, estão redondamente enganados e estes normalmente são os primeiros a abandonar a pesca porque ficaram mal habituados…

Nos últimos anos e desde que me dediquei mais à pesca desta espécie já tive essa oportunidade três ou quatro vezes se não estou em erro, mas o destino não me deixou cobrar esses peixes, achou que ainda era cedo ou que não os merecia e decidiu deixa-los crescer e engordar mais um pouco, já devem estar obesos os velhacos…


Na outra semana quando o tempo estava muito mau, andava com vontade de fazer uma pesca nestes dias de tempestade, mas todos os dias havia condicionantes que não o permitiam e também não gosto de inventar jornadas à “papo-seco” (pegar nas coisas e ir para a pesca sem analisar os prós e os contras).

Mas estive sempre atento às previsões e selecionei um dia em que houve uma pausa/intervalo na ondulação aqui na Costa Sul, um mar estava a cair e outro já se avizinhava, tinha poucas horas para pescar porque além da ondulação a chuva forte também estava prevista para a madrugada, no entanto a maré coincidia com as horas em que o mar estava de feição, coisa que não aconteceu nos outros dias.

A água estava tapada que mais parecia chocolate, mas estas águas por vezes escondem grandes surpresas, havia alguma corrente mas depois de meter uma cana a pescar confirmei que a mesma pescava bem e tive o pressentimento (de que esta noite vou vingar aqui um bom Robalo).

Mas o tempo passou e o filme já levava quase 3h, o actor principal não havia meio de aparecer, o raio do vento parecia o cunhado do Santanas, não dava tréguas e a humidade que vinha do mar deixava tudo encharcado, começava a perder aquele “feeling” que tinha no início da pesca e estava a tornar-se numa noite daquelas em que um gajo pensa se não teria sido melhor ter ficado em casa…


Andava por ali a ver o lixo que o mar tinha trazido naqueles dias de temporal e quando me virei a cana estava completamente arcada, como que me avisando de que estava lá algo de bom tamanho, por breves instantes pensei que fosse algum objecto (lixo) perdido que se arrastava à boleia da corrente e das ondas, mas depois de a cana vir atrás e voltar a dobrar novamente com alguma violência apercebi-me de que tinha lá um Robalão e o coração triplica os batimentos por segundo.

Peguei na cana e já o carreto dava linha ao peixe que aproveitou a boleia da corrente para ir pela praia fora, eu fui com ele e sempre que podia recuperava alguns metros, mas também lhe dava outros tantos quando o velhaco me os pedia, sentia que tinha ali um Robalo grande porque tudo aquilo era diferente de quando se apanha um Robalo de 3 Kg, à medida que o velhaco ficava mais perto da rebentação o batimento cardíaco aumentava ainda mais porque acendiam-se na minha memória episódios de grandes Robalos que eu já perdi no momento de os cobrar e a pior sensação que um pescador pode ter na pesca é perder um peixe grande aos seus pés.

Talvez tenha andado cerca de 100m a passear o velhaco pela praia, não estava fácil de separar este peixe da água, mas com calma e jeitinho lá o consegui meter em seco, é claro que foi uma alegria enorme quando lhe deitei a mão e o agarrei pelas guelras, este estava seguro e não teve a mesma sorte que os outros, desta vez ganhei eu 😊

Para mim esta captura teve um sabor especial, pois já perseguia um peixe deste calibre tenazmente há uns bons anos e o facto de estar ali sozinho à noite sem ninguém por perto e à mercê das instáveis condições atmosféricas foi para mim como uma recompensa do mar pela minha insistência e dedicação e é com muito gosto que eu partilho este peixe com vocês…

Acusou pouco mais de 6 Kg e estava magro, tinha a barriga completamente vazia, nem ovas nem comida no bucho, por um lado fiquei satisfeito por já ter desovado, mas se tivesse ovas e/ou comida talvez batesse nos 7 kg e era o tal Robalo que eu procuro há muitos anos. Mas o “se e o magro” não conta e por isso o registo fica pelos 6 Kg e é o maior que apanhei até hoje, pelo menos passei a barreira dos 5 Kg e tal que já era uma sina…


Linhas usadas nesta jornada
 SkyLine 0,24 nos carretos, chicotes Cinnetic e SkyLine 0,40 nos estralhos


As últimas semanas têm sido de invernada, com algumas tempestades a fustigarem a Costa Portuguesa de norte a sul, o que para além de ser bom para a Natureza, também evita que a Costa seja cercada de redes e aparelhos dos profissionais e também dos ilegais, assim sendo poupam-se muitos Robalos, por outro lado é mau porque a espécie não encostou para desovar tranquilamente nos devidos locais e por essa razão grande parte da desova não vinga, o que faz com que se percam milhões e milhões de alevins, já os Robalos que entraram nos rios e estuários desovaram tranquilamente e há mais probabilidade dos alevins serem bem-sucedidos.


Mais umas fotos das últimas tempestades na Costa Sul oferecidas pelo amigo Zé Dias que está sempre pronto a ajudar…

Peço desculpa por ter abusado na escrita desta vez, mas com um peixe maior o relato também tem de ser maior 😉

Respeitem a Natureza e façam uma pesca consciente libertando os mais pequenos, pois só assim serão recompensados no futuro com exemplares de bom tamanho.
Saúde e força aí pessoal.

sexta-feira, 9 de março de 2018

Tempestade Perfeita

“Surfcasting”
Boas pessoal!
Como eu tinha dito no último relato, o mar cerrou os dentes e bem, nas duas últimas semanas tem feito uma boa invernada e sabe-me tão bem ver as nuvens tomarem conta do céu ao invés do sol, sabe tão bem ver a chuva a cair e tanta falta que ela faz…
Esta foi uma jornada feita no início da maior tempestade que assolou a Costa Sul nos últimos anos, uma zona da Costa que na maior parte do ano é um autêntico lago, foi varrida pela forte ondulação…
As condições neste dia convidavam a ficar em casa, chuva, vento, tempo húmido e desagradável, isto são tudo factores que eu vejo como um aliado do defeso natural na pesca, porque são condições que desencorajam qualquer um a pegar nas trochas e sair de casa para ir pescar sozinho sem saber o que lhe espera.
Pois foi isso que eu fiz, fui dar as boas vindas ao maior temporal dos últimos anos na Costa Sul a que eu apelidei de “Tempestade Perfeita”


Nestas jornadas de pesca a sul o inimigo nrº1 do pescador lúdico é o lixo =(limo, algas) a quantos de nós que pescamos na Costa Sul já não aconteceu chegar à praia dar de caras com um mar de sonho e com aquela ansiedade de meter as canas à pesca e depois não conseguimos pescar por causa do lixo! Por aqui em dias de mar revolto a primeira coisa que um pescador pergunta logo quando se cruza com outro é: (Há lixo!!?) hahahaha grande fantasma que são as algas…
Neste dia quando comecei a pescar ainda não havia lixo mas a meio da jornada apareceu, no entanto nada de especial, desde que deixe pescar e não tape o isco tudo bem…


(A mesa da cozinha bem composta)

Foi uma jornada bastante entretida e cheia de actividade, sempre a trabalhar e a andar de um lado para o outro (lança, puxa, isca, faz estralho novo, guarda o peixe na saca, liberta o pequeno, etc) ainda fiz meia dúzia de devoluções entre bailas e sarguetas. As espécies capturadas foram as que estão à vista (Sargos e Robalos) que no total contabilizaram 14 Kg, tendo o maior Robalo acusado 3,200kg. Foi uma daquelas jornadas de pesca que me deixou completamente satisfeito e de “barriga cheia” como se costuma dizer por aqui, não só por ter feito uma boa pesca mas também porque correu tudo bem do início ao fim. Depois já em casa com um banho tomado, o estômago forrado e o esqueleto cai na cama, xiiiiiiiiiii!!!! Vocês sabem do que estou a falar  😊


Linhas usadas nesta jornada:
  RayLine 0,18 nos carretos, chicotes Cinnetic, SkyLine e MIMETIC 0,40 nos estralhos


A violência do mar nas últimas semanas deixou marcas por toda a Costa, desde praias que ficaram completamente despidas de areia até a infraestruturas que foram destruídas pela força do mar, algumas delas nem deviam lá estar e por isso o mar as cobrou. Não tenho memória de um temporal com esta intensidade destrutiva e duradoura na Costa Sul. Na Praia de Faro o mar deixou a descoberto pedras que eu não as via desde miúdo, pescadores e residentes confirmam que foi o maior temporal dos últimos 20 anos, há quem vá mais longe até e diga que havia 30 anos que não havia uma tormenta assim…
Por outro lado parece-me que querem arranjar a orla costeira com uma sessão de cosmética e isso é duvidar da força da Mãe Natureza e para aqueles que se julgam donos dela, esqueçam; porque a Mãe Natureza nas últimas semanas mostrou que não é de ninguém e que quem manda é ela…


Esta foi uma tempestade que veio mexer os fundos, limpar e lavar as areias velhas das praias e pedras, deslocar e desentocar peixes e comedia para os mesmos, agora ainda não se percebe bem o que o mar fez na fauna e vida marinha, mas certamente que no futuro muitos de nós, os mais atentos talvez vamos lembrar-nos deste grande temporal.

Esta semana foi difícil de conciliar as marés com o tamanho e direcção do mar e como se já não bastasse ainda houve dias de vento forte 30/40 nós e a chuva a dificultar a escolha dos dias para pescar, as águas estão completamente tapadas, eu digo mesmo barrentas até, derivado a vários factores (muita chuva que trouxe bastante água das ribeiras e barreiras, vento forte do lado do mar, e marés de grande amplitude que com a ajuda da ondulação lamberam as barreiras no litoral sul) ainda assim não me posso queixar, pois para mim foi uma "Tempestade Perfeita" e esta semana tive mais uma jornada bastante gratificante… Mas isso ficará para contar na próxima semana 😉

Está aí à porta mais um fim-de-semana de mau tempo e mar forte, mas desta vez a ondulação é diferente e as marés são curtas, vamos ver o que se vai passar, segundo as previsões a chuva vai continuar a cair para bem de todos e mal dos meus vizinhos que ficam à janela aborrecidos e com um ar de tristeza como se fosse o fim do mundo…
Saúde e força aí pessoal.